Domingo, Junho 27, 2004
Dias repletos de euforias... e sem conseguir verbalizar o que venho sentindo... dizer que a Fada está a espera "do sorriso" no meio de tantas bocas que sorriem pra ela, é o máximo que consigo tirar deste poço insano...
"Analfabeta de olhares"
Se os olhos são os espelhos da alma e neles viajam os sentidos de ti,
então sou cega...
Pior que isso... sou analfabeta de olhares e não sei a quem pedir
auxílio para ler as mensagens dos teus espelhos azuis de mar sem fim.
As ninfas já não moram nas vagas sedosas, e os elfos partiram para os
seus mundos na Ocidentalidade.
Percorro as estradas, rasgo os pés castanhos das poeiras dos caminhos,
mas os velhos já não moram nas casas perdidas nas florestas, e os
papiros das pirâmides têm apenas as receitas do MacDonalds gravada em
hieróglifos...
Bato às portas das videntes e a todas pergunto se te conhecem, se
sabem ler o teu olhar e decifrar os teus mistérios de Apolo perdido
nos reinos de Hades.
Zeus adormeceu e ninguém sabe onde encontro o o feiticeiro de Oz.
Sento-me nas pedras milenares mas nos seus versos não consta o teu
nome...
Choro lágrimas secas que me provam a pele como sanguessugas.
Levanto-me finalmente... Retorno a casa...
Mas de repente lembro-me que não tenho casa...
Assim, vagueio pelos ventos sibilantes, que dos teus olhos ainda nada
sei ler e de fracassos está a minha vida repleta.
Entro no tornado e moro no seu olho sábio até que ele me faz aterrar
em cima de uma cama demasiado dura.
Levanto os olhos e encontro os teus.
Esqueço que sou analfabeta e deposito-te beijos nas pálperas, nas
faces e nos lábios quentes.
Deixo-me adormecer nos teus braços e nas tuas colchas brancas.
Quando acordo estou de novo só.
Deixaste-me uma mensagem. Viro-a e vejo apenas uma fotografia dos teus
olhos.
Rasgo-a, queimo-a e parto.
Serei sempre a analfabeta de olhares.
Sissi

Música do Dia: Retrato em Branco e Preto - Na voz de Ana Carolina ou ainda do encantador Chico Buarque
"Analfabeta de olhares"
Se os olhos são os espelhos da alma e neles viajam os sentidos de ti,
então sou cega...
Pior que isso... sou analfabeta de olhares e não sei a quem pedir
auxílio para ler as mensagens dos teus espelhos azuis de mar sem fim.
As ninfas já não moram nas vagas sedosas, e os elfos partiram para os
seus mundos na Ocidentalidade.
Percorro as estradas, rasgo os pés castanhos das poeiras dos caminhos,
mas os velhos já não moram nas casas perdidas nas florestas, e os
papiros das pirâmides têm apenas as receitas do MacDonalds gravada em
hieróglifos...
Bato às portas das videntes e a todas pergunto se te conhecem, se
sabem ler o teu olhar e decifrar os teus mistérios de Apolo perdido
nos reinos de Hades.
Zeus adormeceu e ninguém sabe onde encontro o o feiticeiro de Oz.
Sento-me nas pedras milenares mas nos seus versos não consta o teu
nome...
Choro lágrimas secas que me provam a pele como sanguessugas.
Levanto-me finalmente... Retorno a casa...
Mas de repente lembro-me que não tenho casa...
Assim, vagueio pelos ventos sibilantes, que dos teus olhos ainda nada
sei ler e de fracassos está a minha vida repleta.
Entro no tornado e moro no seu olho sábio até que ele me faz aterrar
em cima de uma cama demasiado dura.
Levanto os olhos e encontro os teus.
Esqueço que sou analfabeta e deposito-te beijos nas pálperas, nas
faces e nos lábios quentes.
Deixo-me adormecer nos teus braços e nas tuas colchas brancas.
Quando acordo estou de novo só.
Deixaste-me uma mensagem. Viro-a e vejo apenas uma fotografia dos teus
olhos.
Rasgo-a, queimo-a e parto.
Serei sempre a analfabeta de olhares.
Sissi

Música do Dia: Retrato em Branco e Preto - Na voz de Ana Carolina ou ainda do encantador Chico Buarque
Terça-feira, Junho 15, 2004
Inconstância
Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
ă igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Florbela Espanca
E cá me encontro eu, presa, acorrentada a essa dissonância, nada de harmonia, apenas intemperância...

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!
Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!
Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...
E este amor que assim me vai fugindo
ă igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...
Florbela Espanca
E cá me encontro eu, presa, acorrentada a essa dissonância, nada de harmonia, apenas intemperância...

Domingo, Junho 13, 2004
Depois de alguns presentes... telefonemas... confusões e decisões... nada melhor do que uma noite em lugar agradável, em companhias mais agradáveis ainda, ouvindo muito boa música, desde Carolina Carol Bela - Dj Marky e Xerxes de Oliveira, à Lágrimas e Chuva - Kid Abelha. Mais uma vez a vida me proporciona encontros e conversas incríveis, coisas e pessoas que pareciam estar distantes de mim, de forma louca as sinto próximas. Noite regada a olhares, com pessoas interessantes e "minha vez de ser paquerada ao pé do ouvido", hehehe! Nada melhor pra comemorar o Dia Dos Sem Namorados ou Sem Namoradas, ou melhor ainda o Dia dos Solteiros. Perdão à aqueles que provavelmente não entenderam a foto, mas como bem disse Kinho... Ainda que não tenha sido amor, ainda que não tenha sido transcedental, ou qualquer tipo de surpresa, ainda que não tenha durado horas, foi um beijo em um anjo e sim foi um beijo cúplice, um beijo puro e também vitorioso. Sabe que te amo meu querido amigo anjo!

Música da noite: Zombie, mas dessa vez na marcante voz de Chirlei Dutra, que estava extremamente envolvente ontem!

Música da noite: Zombie, mas dessa vez na marcante voz de Chirlei Dutra, que estava extremamente envolvente ontem!
Quarta-feira, Junho 09, 2004
Inerte...
Tortura
Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida verdade, o Sentimento!
-- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...
Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
Florbela Espanca

Tortura
Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida verdade, o Sentimento!
-- E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...
Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...
São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!
Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!!
Florbela Espanca


